CPI das Bets: enquanto Virgínia se isenta, senadora Soraya dá voz às vítimas do “Tigrinho”

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Durante os trabalhos da CPI das Bets, que investiga os impactos dos jogos de aposta online como o “Tigrinho” e o “Aviãozinho”, ficou evidente o contraste entre duas figuras públicas com enorme alcance, mas com posturas diametralmente opostas.

De um lado, a senadora Soraya Thronicke, que vem enfrentando o problema de frente, ouvindo vítimas, propondo soluções e buscando regulamentação. De outro, a influenciadora Virgínia Fonseca, que, mesmo com milhões de seguidores e enorme influência digital, preferiu o silêncio e, de forma explícita, pediu à Justiça o direito de não se comprometer.

Na noite anterior à sessão da CPI das Bets, Virgínia entrou com um habeas corpus preventivo para permanecer calada durante a oitiva. A medida legal a autorizava a não responder a nenhuma pergunta que pudesse incriminá-la. E foi exatamente o que ela fez: escolheu não falar, não se posicionar, não ajudar.

Durante sua curta fala, Virgínia alegou que não recebe denúncias de pessoas endividadas ou com pensamentos suicidas provocados por esses jogos, justificando que não tem “o poder de ajudar”. Mas a realidade é outra: os relatos chegam, sim e não a ela, mas à senadora Soraya, que tem sido incansável em dar visibilidade a essas histórias e em buscar respostas concretas.

Soraya Thronicke tem sido procurada por mães desesperadas, jovens iludidos, famílias que perderam tudo. Relatos de pessoas que tiram dinheiro do Bolsa Família, do aluguel, da alimentação dos filhos para jogar em plataformas que, na grande maioria das vezes, só entregam prejuízo. Gente que apostou até o que não tinha, acreditando em promessas impulsionadas por influenciadores milionários como Virgínia.

“Esses jogos estão destruindo vidas. Estamos falando de pessoas que perderam tudo a dignidade, a saúde mental e, em muitos casos, a vontade de viver”, declarou Soraya, que defende a urgente regulamentação do setor.

Enquanto a senadora luta por justiça, quem poderia usar sua visibilidade para alertar e acolher preferiu o silêncio jurídico, o silêncio conveniente.

A CPI das Bets é um passo importante para trazer luz a um problema escondido atrás de telas e algoritmos. E é graças à coragem de parlamentares como Soraya Thronicke que as vítimas começam, finalmente, a ser ouvidas. O Brasil precisa decidir de que lado quer estar: do silêncio de quem lucra ou da voz de quem luta.

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