Entre o real e o imaginário: os bebês reborn de Lilian Alves tocam corações no Norte Sul Plaza

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Foto: Arquivo Pessoal/ Lilian Alves
Foto: Arquivo Pessoal/ Lilian Alves

No meio da correria do dia a dia, entre vitrines de lojas e passos apressados pelos corredores do Shopping Norte Sul Plaza, em Campo Grande, um cantinho convida à pausa, ao carinho e à emoção. Ali, nas mãos da artesã Lilian Alves, de 45 anos, nascem bebês. Não bebês comuns, mas bonecas hiper-realistas, conhecidas como reborns que impressionam pelos detalhes e tocam pela sensibilidade com que são feitas.

Lilian começou sua jornada em 2021, depois de assistir a uma reportagem da artista Monickie Urbanjos no antigo programa do Gugu. Na época, ela não imaginava que aquele momento marcaria o início de uma paixão duradoura. “Foi em casa mesmo, olhando a TV. Vi aquela arte e pensei: ‘É isso. É isso que quero fazer’. Desde então, nunca mais parei”, conta com um sorriso leve.

O universo reborn existe há décadas, mas nos últimos anos ganhou um novo significado: muitas pessoas passaram a ver esses bebês não apenas como bonecas de coleção, mas como companheiros afetivos. Algumas os vestem, embalam, fotografam e até saem para passear com eles em carrinhos. Para muitos, eles representam uma forma de acolhimento emocional, cura de traumas ou a realização de um sonho interrompido.

Cada bebê, uma história

Foto: Arquivo Pessoal/ Lilian Alves
Foto: Arquivo Pessoal/ Lilian Alves

No ateliê montado dentro do shopping, Lilian cria cada reborn com extremo cuidado. Pele com tons realistas, unhas pintadas com delicadeza, veias sutis sob a superfície, cílios implantados fio a fio e olhos que parecem carregar vida. O momento mais especial? “A hora de encaixar a cabeça. É ali que sinto que ela realmente nasceu. Sempre me emociono.”

Cada escultura já vem com um nome original, mas a verdadeira identidade nasce no colo de quem recebe o bebê. “As crianças e até mesmo adultos gostam de dar seus próprios nomes. A ligação é instantânea, como se fosse de verdade.”

Lilian ainda guarda seu primeiro reborn, feito para sua filha e dois outros bebês que não tem coragem de vender. “São parte de mim”, confessa. Os demais variam entre R$ 700 e R$ 1.800, dependendo do nível de detalhe e do tipo de escultura usada.

Mais que bonecas, menos que humanos

Foto: Arquivo Pessoal/ Lilian Alves

Mas é importante lembrar: apesar da aparência quase viva, os bebês reborn não são crianças de verdade. “É preciso carinho, mas também bom senso. Já vi pessoas tentarem dar banho como se fosse um bebê real, e isso pode danificar a peça”, alerta Lilian. Por serem delicadas e feitas de materiais específicos, as bonecas exigem cuidados apropriados nada de água, calor excessivo ou movimentos bruscos.

Ainda assim, o valor emocional é real. Lilian sonha com projetos futuros, quem sabe até com oficinas para ensinar outras pessoas. “Tem algo de terapêutico nisso. A arte do reborn mexe com sentimentos, memórias, até com o silêncio das ausências. É mais do que vender bonecas é entregar uma experiência de amor.”

Quem passa pelo Norte Sul Plaza e se permite olhar com calma para os olhos desses pequenos seres inanimados, muitas vezes se surpreende. Ali, entre o real e o imaginário, mora uma arte que nos lembra o que há de mais humano: a capacidade de sentir, cuidar e se emocionar.

Reprodução de conteúdo autorizada mediante a créditos ao Jornal Ela Informa.

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