Brasil faz ‘golaço’ com a Agrizone e reposiciona agro na pauta global, diz pesquisadora da Embrapa

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A presença da Agrizone na COP30 marcou um divisor de águas para a imagem da agropecuária brasileira no debate climático internacional. A avaliação é da pesquisadora da Embrapa Gado de Corte, Maria Aragão, que destacou o papel do espaço em aproximar a produção de alimentos das discussões globais sobre preservação ambiental e justiça climática.

Segundo Aragão, a Agrizone ampliou temas que dificilmente teriam ganhado tanta visibilidade em um evento internacional sem a presença organizada do setor. “Vimos aqui inúmeros debates com indígenas, discussões sobre justiça racial e movimentos que talvez não estivessem tão fortemente presentes se não fosse a Agrizone. Colocamos a produção de alimentos e a preservação dentro da pauta global”, afirmou.

“A agropecuária brasileira é parte do problema, mas também parte da solução”

Para a pesquisadora, o espaço mostrou ao mundo a capacidade do agro brasileiro de contribuir para a redução de emissões, ao mesmo tempo em que reforçou a importância socioeconômica do setor.

“A Agrizone foi um marco. Nós fizemos um golaço ao colocar a agropecuária brasileira na pauta mundial sobre meio ambiente. O setor contribui com as emissões, mas tem grande potencial de ser também parte da solução”, disse.

Aragão destacou a apresentação do documento da Pecuária Brasileira Sustentável, que reúne princípios sobre nutrição, sustentabilidade e economia da cadeia da carne. “Falamos de segurança alimentar, do valor nutricional da carne, uma proteína de alto padrão biológico , mas também da importância socioeconômica da pecuária, que gera emprego, renda e pode reduzir emissões.”

Segundo ela, tecnologias já disponíveis permitem que a pecuária tenha um balanço positivo de carbono. “Mostramos o Protocolo de Baixo Carbono, evidenciando como a pecuária pode emitir menos e sequestrar mais carbono.”

Tecnologias existem; o desafio é fazer chegar ao produtor

A pesquisadora reforçou que o Brasil possui um vasto portfólio de soluções para tornar a pecuária mais eficiente, porém muitas ainda não chegam com força às propriedades rurais.

“Temos tecnologias disponíveis há muitos anos, mas às vezes falta levar esse conhecimento da academia e dos centros de pesquisa para os produtores. Não adianta desenvolver tecnologia que não chega na ponta”, destacou.

Entre as soluções citadas estão:

Solo saudável é peça-chave na pecuária de baixo carbono

Maria Aragão lembrou que o solo funciona como um ecossistema complexo e essencial para o equilíbrio ambiental. “Toda biomassa que vemos para cima existe também para baixo. Hoje incentivamos produtores a olhar a qualidade biológica do solo, porque a quantidade de microrganismos ali é enorme e há muitas técnicas para aumentar essa riqueza.”

Segundo ela, pastagens bem manejadas são fundamentais, especialmente diante do cenário de degradação no país. “No Brasil, temos cerca de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas. Por isso, a recuperação dessas áreas é urgente.”

A degradação gera uma série de impactos:

O Programa Caminho Verde, citado por Aragão, atua justamente na reabilitação dessas áreas.

Produtividade, sustentabilidade e ciência integradas

Para a pesquisadora, o ponto central é mostrar que a agropecuária brasileira pode aumentar produção, melhorar o bem-estar animal e reduzir impactos ambientais ao mesmo tempo.

“A pecuária brasileira tem um potencial enorme para produzir mais carne com menos recursos, recuperar solos, melhorar pastagens e sequestrar carbono. Tecnologias existem, mas precisamos avançar para que cheguem a cada propriedade.”


Fonte: Canal Rural

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