Depoimento de Pollon no Conselho de Ética evidencia sua luta pela anistia e liberdade dos injustiçados do 8 de janeiro

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Deputado Federal Marcos Pollon. (Foto: Câmara Federal)

O deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) voltou a ser o centro das discussões no Congresso Nacional ao prestar depoimento na manhã desta terça-feira (9), durante a primeira etapa da oitiva referente aos processos que enfrenta no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Em sua fala, o parlamentar reiterou que todas as condutas que motivaram as representações contra ele se relacionam diretamente à sua defesa da anistia para investigados e condenados pelos atos de 8 de janeiro e ao que classifica como um cenário de “injustiça humana e institucional” vivido pelas famílias envolvidas.

Pollon afirmou que, desde o início tornou-se um dos deputados mais procurados por familiares de réus e ex-presos, que o relatam situações de sofrimento psicológico, dificuldades financeiras e obstáculos para retomarem suas rotinas. Ele declarou que acompanha diversos casos pessoalmente, incluindo pessoas que teriam perdido emprego, acesso a medicamentos e a estabilidade mínima para reconstruir a vida após os processos judiciais. Segundo o deputado, há situações em que ele próprio fornece apoio financeiro.

“É impossível para qualquer ser humano ouvir essas histórias e permanecer inerte”, disse durante a oitiva.

Os processos aos quais responde no Conselho de Ética foram abertos em 7 de outubro de 2025, após a Mesa Diretora formalizar representações relativas à ocupação do plenário ocorrida em 5 e 6 de agosto de 2025. Na ocasião, parlamentares ligados à pauta da anistia protestaram contra a falta de avanço na tramitação do projeto, resultando na interrupção dos trabalhos legislativos. A acusação formal inclui obstrução e participação na ocupação da Mesa, episódio classificado como motim pela Corregedoria.

Além disso, Pollon responde por outra representação, apensada ao mesmo processo, referente a declarações feitas em público, durante uma manifestação em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, em que cobrou o presidente da Câmara, Hugo Motta, pela demora na votação da anistia. O parlamentar argumenta que sua fala naquele ato foi uma cobrança política legítima e que, desde então, passou a sofrer “perseguição política”.

Durante o depoimento, Pollon destacou que sempre manteve postura de respeito nas comissões e no plenário, citando que, mesmo com divergências profundas com parlamentares da oposição, como Chico Alencar, jamais protagonizou episódios de desrespeito. Reforçou ainda que visita ex-presos e familiares, inclusive no Distrito Federal, afirmando que situações relatadas por eles justificam sua insistência na anistia ampla, geral e irrestrita. Ele mencionou casos como o de uma intérprete de Libras que teria perdido o emprego após os eventos de janeiro e hoje depende de ajuda externa para adquirir medicamentos.

“Não há mandato que valha mais do que um inocente preso”, declarou.

O deputado também comentou seu afastamento do Conselho de Ética, que ocorreu automaticamente após a instauração dos processos em 7 de outubro. Ele considera a medida desproporcional quando comparada ao tratamento dado a outros parlamentares em situações semelhantes, afirmando que sua punição cautelar tem relação direta com sua defesa da anistia. Para Pollon, tanto a acusação de obstrução no plenário quanto o discurso realizado em Campo Grande fazem parte de sua atuação política normal e não configuram quebra de decoro.

A oitiva desta terça-feira marca o avanço do processo no Conselho, que deverá receber o parecer do relator. Enquanto isso, o debate nacional sobre o tratamento jurídico e institucional dado aos eventos de 8 de janeiro permanece acirrado, com Pollon sendo visto por apoiadores como representante das famílias que alegam injustiças e, por críticos, como um dos principais articuladores da interrupção dos trabalhos legislativos durante o motim de agosto. Pollon afirma que continuará defendendo a anistia e não recuará:

“Seguiremos lutando até que esta Casa tome uma decisão definitiva”.

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