Em um dia já marcado por forte tensão política, com a oitiva do Conselho de Ética ouvindo deputados Marcos Pollon (PL-MS), Zé Trovão (PL-SC) e o Marcel Van Hattem (NOVO-RS) que defendem a anistia ampla, geral e irrestrita, que afirmam estar sendo alvos de perseguição política. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu pautar para esta terça-feira (9) a discussão sobre a dosimetria da anistia dos investigados e condenados dos eventos de 8 de janeiro.
A iniciativa pegou o país de surpresa e adicionou ainda mais pressão a um ambiente já carregado. A movimentação também contraria a expectativa de mais de 60% da população, que, segundo pesquisas recentes, não esperava o avanço dessa pauta neste momento.
A dosimetria é uma etapa que definirá limites e critérios para concessão do perdão e é considerada por analistas como um dos pontos mais sensíveis do debate, pois ela serva para diminuir penas e não perdoar, isso baliza o verdadeiro intuíto da anistia.
A coincidência entre a sessão decisiva e a oitiva do Conselho de Ética acendeu ainda mais críticas. Os deputados ouvidos nesta terça, muitos deles vozes expressivas pela anistia ampla, relataram perseguição política e questionaram a condução de processos que, segundo afirmam, ferem garantias fundamentais.
Nos bastidores, aliados de Motta defendem que a decisão busca “dar uma resposta ao país”. Já críticos enxergam precipitação e falta de sintonia com o sentimento majoritário da sociedade brasileira.
A sessão promete ser acirrada, com discursos duros e atenção máxima das lideranças partidárias. O resultado da votação deve orientar os próximos passos da Câmara em um dos debates mais polarizados e determinantes para o momento político do país.
