Soraya Thronicke é julgada onde homens são absolvidos

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Na política brasileira, o peso do julgamento raramente é o mesmo para homens e mulheres.

Um vídeo de menos de dois minutos, gravado de forma casual durante uma viagem de férias, foi suficiente para expor essa desigualdade mais uma vez. As imagens mostram a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) em uma loja masculina de grife, em Orlando, nos Estados Unidos, ao lado do empresário Silvio Assis.

Nada além disso, ainda assim, o episódio foi tratado como escândalo, o detalhe ignorado por quem espalhou insinuações é que Soraya em viagem, não estaria acompanhada do esposo, fora isso possui familiares residentes nos Estados Unidos, incluindo a irmã, o que torna absolutamente natural sua presença no país. Mesmo assim, o vídeo foi retirado de contexto e transformado em ferramenta de ataques morais.

A repercussão foi imediata e superficial, sem investigação, sem apuração consistente e sem qualquer comprovação de irregularidade, surgindo diversas acusações. A amizade da senadora com alguém “supostamente” envolvido em escândalos passou a ser tratada como prova de algo que nunca existiu. Supostamente, porque até hoje nenhuma acusação foi comprovada, nem contra Soraya Thronicke, nem contra Silvio Assis.

O julgamento que não se faz aos homens
O episódio escancara um problema antigo, a facilidade com que a vida privada de mulheres na política se transforma em alvo de desconfiança, enquanto trajetórias públicas e resultados concretos são colocados em segundo plano. A pergunta inevitável surge, se fosse um homem em uma loja masculina, o tratamento seria o mesmo?
A experiência mostra que não. Na política brasileira, não faltam exemplos de parlamentares homens flagrados em jantares caros, viagens internacionais, hotéis de luxo ou convivência próxima com figuras investigadas, muitas vezes sem qualquer reação proporcional da opinião pública ou da imprensa. Para eles, o luxo é naturalizado. Para uma mulher, vira suspeita.

“O que incomoda não é um vídeo, é a autonomia, é uma mulher que se posiciona, que não pede permissão e que não aceita rótulos impostos”, afirmou Soraya Thronicke.

Parte das críticas se concentrou na presença de Silvio Assis, jornalista e profissional de Relações Governamentais. Sua atuação é institucionalizada, registrada e lícita. Em democracias consolidadas, como os Estados Unidos, o lobby é regulamentado, transparente e reconhecido como instrumento legítimo de diálogo entre sociedade civil, setor produtivo e o Estado.

Ser amigo de alguém que transita nos corredores do poder não configura crime. Estar sob investigação tampouco é sentença. O Estado Democrático de Direito se sustenta na presunção de inocência, princípio frequentemente ignorado quando a narrativa sensacionalista se impõe.

“Não aceito que amizade seja criminalizada nem que ilações substituam fatos. Minha vida privada não pode ser tratada como prova de algo que não existe”, declarou a senadora.

Antes de chegar ao Senado, Soraya Thronicke construiu uma carreira sólida fora da vida pública. É advogada e empresária da rede moteleira, com atuação reconhecida, geração de empregos e independência financeira. Essa trajetória profissional é justamente o que lhe garante autonomia política, característica que incomoda setores acostumados a mulheres submissas ou dependentes do sistema.

Sua entrada na política não foi fruto de herança ou apadrinhamento, mas de uma história construída no trabalho e no empreendedorismo.

Enquanto o vídeo viraliza, seis anos de atuação parlamentar passam quase despercebidos. Somente em 2025, Soraya Thronicke destinou mais de R$ 150 milhões em emendas parlamentares aos 79 municípios de Mato Grosso do Sul, atendendo áreas como saúde, educação, pavimentação, infraestrutura, agricultura familiar, cultura e causa animal.

A Caravana da Castração, com investimento de R$ 5 milhões, já realizou mais de 16.500 atendimentos, impactando diretamente a saúde pública. O Prospera MS se consolidou como referência no fortalecimento da produção familiar e no desenvolvimento regional. Projetos culturais e ações estruturantes nos municípios também receberam apoio do mandato.

“Meu compromisso sempre foi com resultado. Com política pública que chega na ponta e muda realidades. Isso não aparece em vídeos curtos, mas está nos números e na vida das pessoas”, ressalta a senadora.

Mulher na política é resistência diária
Em um estado que registra altos índices de violência contra a mulher, Soraya mantém a pauta feminina como prioridade. Entre suas iniciativas estão projetos que ampliam a proteção às mulheres, endurecem punições para agressores e reconhecem a misoginia como crime de ódio.

Ainda assim, a crítica dirigida a ela segue mais dura, mais pessoal e mais agressiva, reflexo de um machismo estrutural que insiste em sobreviver, inclusive no discurso político e midiático.

“Ser mulher na política é enfrentar julgamentos que não têm relação com o trabalho. Mas sigo firme, porque sei por que estou aqui e a quem devo satisfação: à população de Mato Grosso do Sul”, afirma.

Douradense, advogada, empresária, esposa, mãe e senadora, Soraya Thronicke está no cargo sem apego ao poder, mas com dedicação ao trabalho e foco no desenvolvimento do Estado. Como qualquer liderança política, fez escolhas, rompeu alianças e contrariou interesses, decisões legítimas que também explicam parte dos ataques.

O episódio de Orlando revela menos sobre Soraya e mais sobre o nível do debate público, o preconceito contra mulheres na política e uma cultura que prefere a insinuação à apuração.

“Não é apenas sobre política. É sobre ser mulher na política, resistir e não abrir mão da própria voz”, conclui a senadora.

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